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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011






O francês que veio do passado

Dia desses eu estava voltando pra casa de carona com meu grande amigo – e também colunista deste blog – Vitor Vieira, o popular Vitinho, e de dentro de seu carro, acostumado com sambas-enredos cariocas, a música que se ouvia era completamente diferente. O assunto deu uma pausa e só aí pude ouvir com atenção. A música não era tão estranha assim. Eu conhecia aquilo. Mas não daquele jeito.
Perguntei quem era e ele me respondeu: “Ben L’Oncle Soul”.

Quem?

Ben L’Oncle Soul é um cantor francês que, pela sonoridade, pode-se dizer que veio de algum lugar do passado. Aquele passado de músicas agradáveis, não um passado psicodélico chato ou progressivo mala. Também se pode dizer isso por sua forma peculiar de se vestir: a gravata borboleta e o suspensório estão quase sempre presentes.
Mas não, ele não é do passado.
Tio Ben, como é chamado, vem ganhando cada vez mais notoriedade repaginando de Soul Music músicas consagradas da atualidade. Isso mesmo, ele pega músicas como Seven Nation Army, do White Stripes; I Kissed a Girl, da Kate Perry e Crazy, do Gnars Barkley e simplesmente transforma num Soul delicioso de se ouvir em qualquer momento do dia. Até mesmo nesse que vocês estão lendo. E nesse que vocês tão pensando também, seus leitores safados.

Além das incríveis versões, Ben L’Oncle Soul também tem e cria excelentes músicas próprias, como as lançadas ano passado.
O fato é: não adianta ficar de blábláblá. Vocês têm que ouvir. E se você já o conhece, tenho certeza que assina embaixo o que escrevo.

Abaixo estão as fantásticas versões de Otherside, do Red Hot Chili Peppers; Barbie Girl, do Aqua (sim!) e, pra menina nenhuma botar defeito, Say You’ll Be There, das Spice Girls.













Gostou? Quer baixar?
Ben L’Oncle Soul, de 2010 (covers e músicas próprias) 

Ben L’Oncle Soul, nascido Benjamin Duterde, tem 27 anos e, mesmo parecendo ter vindo do passado, está bem a frente de seu tempo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011





O som dos móveis

Quando a ideia deste blog surgiu, ficou acordado que eu escreveria sobre música alternativa ao samba, principal força motriz da Bateria da Cásper. Resolvi, então, fazer uma breve pesquisa com ritmistas e ex-ritmistas da nossa batucada perguntando quais as 3 bandas/artistas nacionais, excetuando as de samba, que gostam mais. Não consegui perguntar a todos, confesso, mas a boa amostragem definiu claramente de quem eu deveria falar:

Móveis Coloniais de Acaju.


Talvez você conheça, talvez não. Mas acho muito, muito improvável que você conheça e NÃO goste de Móveis. Uma banda que nasceu em Brasília e faz jus à cidade: se a capital nacional, em sua construção, recebeu gente de todos os cantos do país e assim se fez uma grande mistura, o som do Móveis é igualzinho. Pegada ska, com rock, com samba, com MPB, com... qualquer coisa que

agrade aos ouvidos! Foi assim que, em pouco tempo, a banda que tocava em bailes de formatura passou a figurar em grandes festivais pelo Brasil e também pelo exterior.

Era 2005 ou 2006, estava eu no Hangar 110, casa de shows (geralmente de punk e hardcore), para assistir a um show do Dead Fish. Uma das bandas de abertura era o "Móveis industriais de não sei o que lá de Aracaju", algo assim para mim. Quando começou o show destes desconhecidos, vi NOVE caras pulando e tocando (em um palco bem pequeno, diga-se de passagem) um ritmo completamente diferente do que eu esperava para a abertura de um show de HC. Tudo para eu achar bizarro, mas foi exatamente o contrário. A música e a animação do show contagiaram a mim e a todos de uma maneira sem igual. Desde então passei a ouvir Móveis Coloniais de Acaju.


Hoje eles já têm dois discos lançados: "Idem" de 2005 e "C_mpl_te" de 2009. Dois discos repletos de excelentes canções que te fazem cantar suas letras (e também seus instrumentais) o dia todo e deixam com vontade de ouvir mais e mais.

No segundo show que fui, agora com, e como, o público deles, me tornei fã. E depois de mais alguns shows, afirmo categoricamente que não há como assistir a um show deles sem se empolgar. Com seus saxofones, trombone, flauta transversal, gaita, teclado, além de baixo, guitarra e bateria, eles pulam, dançam e correm pelo palco como se não houvesse barreiras. Mesmo assim, tocam com maestria e interagem com o público como se fossem amigos há décadas. Toda essa animação SEMPRE se reflete nos movimentos e sorrisos de cada espectador. Prova inequívoca que, de fato, não existe qualquer barreira na música.

Por tudo isso, ficam as minhas recomendações: se você AINDA não conhece Móveis, faça o favor de conhecer; e principalmente: no próximo show deles em São Paulo, vá. Boa parte da Bateria da Cásper irá com você.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011





E a Cásper bateu cabeça!


Uma vez, juro, pensei em qual banda seria incrível se tocasse em alguma festa da Cásper ou mesmo no alojamento do JUCA.

E aí, juro, pensei que essa banda poderia ser o Raimundos.

Explico, um, a gente sabe que é praticamente impossível para qualquer faculdade trazer uma banda ou artista TOP em um momento TOP da carreira para sua festa. E, encaremos, Raimundos deixou de ser a banda mais tocada da 89, a Rádio Rock, bem antes de ela deixar de ser rock.

Explico, dois, sempre fui um grande fã de Raimundos. Um daqueles que tinha grudado na porta do armário o adesivo da banda, com um desenho tosco de um jumento cheio de moscas em volta. Um daqueles que teve o Raimundos como o primeiro show de rock que viu na vida, num Olympia lotado, na Lapa, meados de 2001. Um daqueles que não idolatrava o clássico “Só No Forevis”, mas sim o “Lapadas do Povo”. Enfim, o famoso fã.

Antes de dar um passo à frente na minha história, vou falar um pouco sobre eles.

O Raimundos [o nome da banda é referência aos Ramones, com um toque nordestino, influência familiar do Rodolfo] surgiu no fim dos anos 80 em Brasília, reduto absoluto de bandas nacionais de sucesso. Mas só tomou a forma que conhecemos em 94, quando lançaram o primeiro CD e os primeiros sucessos: “Puteiro em João Pessoa”, “Selim”, entre outros. Daí veio o segundo CD pra consolidar de vez. O “Lavô Tá Novo” emplacou hits que você certamente já cantou: “O Pão da Minha Prima”, “I Saw You Saying” e “Esporrei na Manivela” são bons exemplos.

O fato: Raimundos se tornou A grande banda nacional dos anos 90. E o sucesso explodiu ainda mais com o lançamento do já citado Só No Forevis. Ainda veio a MTV lançar o ao vivão duplo, lindo, cheio de sucessos e pronto, era o auge da banda.

Aqui eu retomo a minha história, pois foi nesse momento único da banda que eu assisti ao meu primeiro show de rock no Olympia, na Lapa, e dias depois eles anunciaram o fim dos Raimundos.

Não vou fazer drama, não houve tempo e nem há saco para isso. Afinal de contas, tem uma música do primeiro CD, chamada “Marujo” que diz: “É por isso que o Raimundos nunca vai se acabar”. E o Digão cumpriu. Não deixou, nem com a saída do vocalista Rodolfo, nem com a saída do Canisso (que depois retornaria ao baixo) e nem com a saída do batera Fred.
Continuei acompanhando a banda com seus novos lançamentos, nenhum deles bem aceito pela mídia. Ainda era Raimundos, mas eu mesmo não botava muita fé.

Foi que em 2009, se não estou enganado, fiquei sabendo que eles tocariam no Outs, casa de shows/balada da Augusta que volta e meia faz meus sábados. Despretensiosamente chamei um amigo meu, que despretensiosamente topou. Assistimos ao show e posso garantir: um dos shows mais fodas e com mais energia que já vi. Repertório perfeito só de músicas antigas como, feliz ou infelizmente, TINHA que ser.
E foi. E foi do caralho!

Naquele momento eu era o mesmo moleque de anos atrás reverenciando uns dos meus ídolos da música. Não me contive em subir no palco para dar um merecido abraço no Digão (mas poderíamos estar menos suados).

Naquele momento, mais uma vez, lembrei:

É por isso que o Raimundos nunca vai se acabar.

Quanto ao presságio de que eles poderiam tocar em uma festa da Cásper e de fato isso acontecer (e principalmente como acontecer), deixo pra vocês comentarem.

O que acharam do show? 



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Tchelo toca na Bateria da Cásper usando camiseta dos Ramones, do mesmo modo que mora na Pompéia e torce pro Corinthians.